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Coletores de Nevoeiro | Coletando a água da neblina

Mesmo no deserto, o ar da noite geralmente contém quantidades significativas de vapor de água, especialmente onde o deserto se encontra com o mar.

Países como Chile, Peru, Equador, Colômbia, África do Sul, Namíbia, Irã, dentre outros, estudam a possibilidade de usar o potencial hídrico dos nevoeiros como fonte suplementar de água para pequenas comunidades situadas em sítios remotos. Por tanto, pesquisadores vêm testando grandes coletores retangulares de água instalados no topo de colinas, perpendicularmente à direção dos ventos predominantes. Essas regiões áridas ou semiáridas, localizadas próximas à costa, experimentam, paradoxalmente, escassez de chuva por um lado e, por outro, são frequentemente imersas em nevoeiros provenientes dos oceanos. Ao longo do planeta, 47 sítios distribuídos em 22 países apresentam as condições acima descritas e, portanto, podem se utilizar desse “serviço” dos nevoeiros.

E, em 2006, dois cientistas alemães , com financiamento da National Geographic Society, iniciaram projetos semelhantes na cidade peruana de Bellavista, no Peru.

Bellavista é uma comunidade pequena em uma região muito seca, que recebe apenas cerca de meia polegada (1,5 centímetros) de chuva por ano. A equipe alemã escolheu Bellavista por causa da densa neblina que experimentam durante os meses de inverno no período de  junho a novembro.

Os ambientalistas alemães, trabalharam em parceria com a vila de Bellavista para instalar o sistema de redes, calhas e tanques de coleta, com base em um projeto da FogQuest .

Embora os aldeões estivessem inicialmente céticos, os coletores de nevoeiro provaram que o projeto funciona. Segundo os relatórios da National Geographic, ” Em um bom dia , é possível coletar uma quantidade impressionante de água – mais de 150 galões ( 568 litros). “

Coletores de neblina no deserto de Atacama no Chile

Coletores de neblina no deserto de Atacama no ChileO Atacama, é o deserto mais árido do mundo, com algumas estações meteorológicas em que não chove sequer uma gota de água. Mas esse deserto pode vir a vida com água coletada dos nevoeiros, que é usada para cultivar vegetação numa área anteriormente desolada.

O processo pode ajudar a reverter a desertificação da área. Os cientistas do centro de pesquisa Alto Patache, gerido pela Pontifica Universidade Católica do Chile em parceria com o MIT, têm demonstrado que a água usada coletada dos nevoeiros tem grande potencial para reverter a desertificação da área, provendo condições à vegetação.

O deserto de Atacama se estende do Chile ao Peru, e é considerado o lugar mais árido da Terra. É tão seco que mesmo montanhas com 22.589 pés de altitude não possuem geleiras em seu topo.

Embora não haja quase nenhuma água no solo, há umidade no ar, vinda de nuvens do litoral, que passa através das telas e se condensa, e então viaja através dos tubos para os tanques onde é armazenada. Esses coletores de nevoeiro são enormes redes penduradas entre dois pólos e são feitas de uma tela de polipropileno, que capta as gotas. A água é pura o bastante para o consumo humano e pode ser usada para a agricultura.

Usando a água da neblina no Brasil

Usando a água da neblina no BrasilPorém, não somente sítios de regiões áridas e semiáridas se beneficiam do aporte hídrico proporcionado pelos nevoeiros. Há uma ampla faixa tropical da Terra, com condições climáticas e topográficas propícias à formação de nevoeiros regularmente. Em geral, são áreas próximas da costa, mas que podem avançar em direção ao continente, ou ilhas, que sofrem influência de massas de ar úmidas provenientes dos oceanos, e que experimentam nevoeiros persistentes ao longo do ano ou em parte deste.

As florestas nebulares correspondem a apenas 2,5% da área total das selvas tropicais do mundo. No continente americano esses biomas representam 1,2% das florestas tropicais da região. No Brasil, elas estão presentes na costa Atlântica, entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro.

Há projetos que visam explorar o potencial dos nevoeiros como por exemplo o do Laboratório de Hidrologia Florestal Walter Emmerich no núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar, no município de Cunha, estado de São Paulo.

Referências e Fontes

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Escrito por Equipe de Redação Ciências e Tecnologia

4 Comentários

  1. Antônio Guerra

    Onde eu moro tem umidade a noite e cada a 3 dias eu tiro um balde de 5 litros de água, que escorre pelo telhado. O que posso fazer para aproveitar mais essa água? Obrigado

  2. Nivaldo Nicoliche

    Com certeza este vapor d’água já vem previamente isento de impurezas e demandaria menor recursos para seus tratamento e potabilidade, gostaria que empresas do saneamento tivessem implementações desta natureza em suas grade de investimentos necessários para o domínio da tecnologia e propostas para aplicação em futuras intervenções em áreas remotas.

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Usar nevoeiros como fonte suplementar de água para pequenas comunidades situadas em sítios remotos, pesquisadores vêm testando de água instalados dos nevoeiros