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35% dos corais da grande barreira da Austrália estão mortos

Ao menos cerca de 35 por cento dos corais ao norte e centro da Grande Barreira de Corais na Austrália estão mortos ou quase mortos, em decorrência do branqueamento dos corais causados pela elevação da temperatura das águas, conforme anunciam hoje os cientistas.

Tal afirmação provém de meses de pesquisas aéreas e subaquáticas, depois do branqueamento mais drástico da história ter sido registrado em março, com o aquecimento anormal do oceano em decorrência do aquecimento global.

A grande barreira de Corais da Austrália um patrimônio da humanidade em risco

A Grande Barreira de Corais na austrália se estende por cerca de 2.300km ao longo da costa da região de Queensland na Austrália, e é a maior formação viva do planeta Terra. Com quase 350 km² de recifes de corais, área que é um pouco maior que o estado brasileiro de Goiás, formam uma estrutura magistral que podem ser vistos até do espaço. Além de mais de 2 mil recifes, a estrutura ainda abrange mais de 100 atóis e 60 ilhas, com uma largura que chega a 750 quilômetros em alguns pontos.

Durante anos, especialistas em recifes de corais têm alertado em alto e bom som que, a maior parte do tesouro da barreira de corais australiana foi atingida pelo branqueamento grave, graças às águas anormalmente quentes do oceano.

O branqueamento, no entanto, não significa exatamente a morte de coral. Quando as algas simbióticas deixam os corpos dos corais, eles ficam brancos, podendo ainda se recuperar se as condições ambientais melhorarem. A Grande Barreira de Corais tem visto grandes branqueamentos em alguns de seus setores –  particularmente os recifes do norte mais isolados – e a expectativa tem sido de que este evento iria resultar em morte significativa dos corais, também.

O diretor do Centro de Excelência de Estudos sobre Recife de Coral na Universidade James Cook, Terry Hughes,  explica que o aquecimento global está destruindo a barreira que é considerada Património da Humanidade. Em um comunicado ele afirma:

Nós descobrimos que, cerca de 35% dos corais em média estão mortos ou prestes a morrer nos 84 recifes que analisamos ao longo dos setores norte e centro da Grande Barreira de Corais, entre Townsville e Papua Nova Guiné.

É a terceira vez em 18 anos que a Grande Barreira de Coral sofre um branqueamento tão massivo em decorrência do aquecimento global, e o de agora é muito mais extremo do que o registrado anteriormente.

Antes foi preciso ao menos uma década para que os corais se recuperassem  “porém dessa vez irá levar muito mais tem para recuperar corais maiores e mais antigos que morreram dessa vez”, afirma o comunicado conjunto de três universidades.

O Branqueamento dos corais

Os pesquisadores da Universidade James Cook já tinham mostrado, em abril, que cerca de 93% da área de foi afetada pelo fenômeno de branqueamento.

O branqueamento ocorre em condições ambientais anômalas, como por exemplo aumento da temperatura da água do mar, que força os corais a expelir pequenas algas fotossintéticas, perdendo assim sua coloração.

No branqueamento ocorre a morte dos pólipos em decorrência da destruição das zooxantelas, uma espécie de algas pluricelulares que vivem no interior do celêntero e lhes fornecem parte da comida necessária, por meio da fotossíntese. A destruição é causado por diminuição do plâncton, temperaturas elevadas, dentre outros fatores na área. Quando isto acontece, os pólipos ficam enfraquecidos e morrem, restando o esqueleto calcário que rapidamente fica branco, uma vez que a matéria orgânica entra em decomposição. Por isso se chama “branqueamento”. 

Fotos dos Grande Barreira de Corais da Austrália 

Ameaças à grande barreira de corais

A despeito de suas proporções gigantescas, o equilíbrio dos corais da barreira é extremamente delicado. Às vezes, mudanças mínimas de temperatura e pH na água podem causar a devastação de regiões inteiras, ou pior, desequilíbrios na população de determinadas espécies predadoras.

Espécies como o tritão, um molusco, podem reduzir outras populações criando distúrbios na cadeia alimentar. Outras espécies, como a estrela-do-mar conhecida como “coroa de espinhos”, se alimentam dos próprios corais e quando sua população atinge níveis maiores pode devastar recifes inteiros.

Fatores como mudanças climáticas, poluição, e pesca são as principais ameaças para a saúde deste sistema de recife. Outras ameaças incluem acidentes de transporte, derrames de petróleo, e os ciclones tropicais.

O homem também causa prejuízos, por mais sustentável que seja a política do governo local para manutenção dos recifes. A região de Queensland é mundialmente conhecida não apenas pela Grande Barreira, mas também por ser uma das maiores produtoras mundiais de minérios siderúrgicos – entre eles o carvão e o minério-de-ferro.

As atividades dessa indústria elevam a presença de poluentes não apenas no ar, mas também nos rios da região, especialmente durante a época de enchentes. Além disso, causam distúrbios térmicos nas águas dos rios que desembocam no litoral, criando instabilidades mortais para os sensíveis corais.

Outra ameaça latente que a Grande Barreira de Corais enfrenta é a poluição e redução da qualidade da água. Os rios do nordeste da Austrália poluem o recife durante as inundação tropicais. Cerca de 90% dessa poluição vem da dos rejeitos da agricultura. Além disso 80% do terreno adjacente à Grande Barreira de Corais é utilizado para a agricultura, incluindo o cultivo intensivo de cana-de-açúcar, e massiva pastagem de gado de corte. Práticas agrícolas danificam os recifes devido ao pastoreio, o aumento do escoamento de sedimentos agrícolas contém nutrientes e produtos químicos, incluindo fertilizantes, herbicidas e pesticidas que representam um grande risco para a saúde dos corais e biodiversidade dos recifes. 

Referências

  1. HUGHES, Terry p. et al. Double Jeopardy and Global Extinction Risk in Corals and Reef Fishes. Current Biology, [s.l.], v. 24, n. 24, p.2946-2951, dez. 2014. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.cub.2014.10.037.
  2. SCHEFFER, M. et al. Creating a safe operating space for iconic ecosystems. Science, [s.l.], v. 347, n. 6228, p.1317-1319, 19 mar. 2015. American Association for the Advancement of Science (AAAS). http://dx.doi.org/10.1126/science.aaa3769.
  3. ARC Centre of Excellence in Coral Reef Studies. We can fix the Great Barrier Reef. ScienceDaily. Acesso em 30 de Maio de 2016 diponível em: www.sciencedaily.com/releases/2015/04/150406121017.htm
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Escrito por Equipe de Redação Ciências e Tecnologia

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Ao menos cerca 35% dos corais no norte e centro da Grande Barreira de Corais na Austrália estão mortos ou morrendo devido ao branqueamento dos corais.