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Novas espécies encontradas na Península Cape York – Austrália

Pesquisadores da James Cook University e National Geographic em expedição à Península cape York, no nordeste da Austrália descobriram três espécies de vertebrados até então novas para a ciência e isoladas por milhões de anos, uma bizarra lagartixa com cauda de folha, um lagarto de cor dourada e um sapo adaptado à vida nas rochas.

No início deste ano o Dr. Conrad Hoskin da James Cook University, o fotógrafo da National Geographic e pesquisador da Universidade de Harvard Dr. Tim Laman, uniram-se numa expedição para explorar uma remota cordilheira na Península de Cape York, no nordeste da Austrália.

Cape Melville a terra das rochas no nordeste da Austrália

Região montanhosa de Cape MelvilleCape Melville é uma montanha rochosa incrível, composta por milhões de rochas de granito negro do tamanho de carros e às vezes até mesmo de casas, empilhadas há centenas de metros de altura. Pesquisas têm sido conduzidas nos campos de matação em torno da base de Cape Melville, mas o planalto da floresta espalhado acima tinha permanecido largamente inexplorado, fortificado por enormes paredes rocha.

Em março deste ano, com financiamento da Nacional Geographic Expedition, Hoskin e Laman, junto de uma equipe da National Geographic sobrevoaram a região de helicóptero para explorar as terras altas. Os resultados foram incríveis.

A descoberta das novas espécies em Cape Melville

Em alguns dias, eles descobriram três novas espécies de vertebrados altamente distintas (uma lagartixa cauda de folha, um lagarto de cor dourada, e um sapo), bem como uma série de outras espécies interessantes que também podem ser novas para a ciência.

“Encontrar três novos vertebrados, distintos não seria surpreendente em um lugar pouco explorado como Nova Guiné, mas na Austrália, um país que pensamos que já exploramos muito bem “, disse o Dr. Hoskin.

“Essas espécies estão restritas à floresta tropical de montanha e aos planaltos de Cape Melville. Elas foram isolados lá por milênios, evoluindo para espécies distintas em seu ambiente rochoso único”, completou Hoskins.

As três novas espécies foram nomeadas pelo Dr. Hoskin, com as descrições que aparecem nas edições de outubro da revista internacional Zootaxa.

Saltuarius eximius - Largatixa Cauda de Folha descoberta na AutráliaO destaque foi a descoberta da lagartixa cauda de folha. Lagartixas cauda de folha são grandes (20 cm), e de aparência primitiva, são relíquias de uma época em que a floresta era mais generalizada na Austrália. A espécie encontrada em Cape Melville é muito diferente de todas as  suas parentes e foi nomeada Eximius Saltuarius. O nome da espécie se traduz como “excepcional”, “extraordinário” ou “excelente”, em referência à sua forma incomum e distinta.

“No segundo em que eu vi a lagartixa eu sabia que era uma nova espécie. Tudo nela é extremamente diferente ” , disse o Dr. Hoskins.

Esta lagartixa espetacular fica escondida nas pedras durante o dia e só sai à noite para caçar em rochas e árvores. Altamente camuflada, as lagartixas ficam imóveis, de cabeça para baixo à espera de insetos e aranhas. Características intrigantes da lagartixa são os olhos enormes, corpo e pernas incrivelmente longos e finos – provavelmente todas as adaptações à vida no planalto e nas montanhas rochosas de Cape Melville, áreas mal iluminadas.

Novo lagarto descoberto em Cape Melville

O lagarto da família Scincidae ( Saproscincus saltus ) também foi descoberto e descrito. Este lagarto de uma cor dourada linda, também é restrito à floresta tropical úmida e rochosa do planalto. Possui também pernas compridas, mas ao contrário da lagartixa possuí hábitos noturnos, corre e salta através das pedras cobertas de musgo caçando insetos. O nome da espécie ” saltus “, significa ” saltar ” . Esta espécie é muito distinta de seus parentes, que estão em florestas tropicais ao sul.

Sapo morador das rochas, descoberto na Península Cape YorkTambém foi descoberto um fascinante sapo, nomeado de Cophixalus petrophilus. Este pequeno sapo é totalmente restrito aos campos de pedra em Cape Melville. Apropriadamente, o nome da espécie significa “Amante das rochas”. Durante a estação seca, ele vive no fundo do labirinto dos campos de rochas, onde as condições são frias e úmidas. Na estação das chuvas de verão o sapo emerge nas rochas da superfície para se alimentar e procriar na chuva.

“Você pode se perguntar como girinos de sapo podem viver em um ‘ buraco ‘ num campo rochoso sem água”, Disse o Dr. Hoskins. “A resposta está no fato de que os ovos são colocados em fendas rochosas úmidas e os girinos se desenvolvem dentro dos ovos, guardados pelo macho, até à eclosão”.

Referências

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Escrito por Larissa Souza

Bióloga apaixonada por insetos e plantas desde pequena ama a vida em todas as suas formas.

Um comentário

  1. Grande descoberta Wesley Souza. Parabéns!

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Pesquisadores em expedição à Península Cape York, na Austrália descobriram três espécies de vertebrados novas para a ciência e isoladas por milhões de anos