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Grande barreira de corais da Austrália | A maior estrutura viva do planeta

Quem prestou realmente atenção na animação procurando Nemo irá se lembrar onde os pequenos peixinhos viviam antes do início da aventura – na Grande Barreira de Corais na austrália. Por cerca de 2.300km ao longo da costa da região australiana de Queensland está a maior formação viva do planeta Terra.

São quase 350 mil quilômetros quadrados de recifes de coral (um pouco mais do que o estado brasileiro de Goiás) que podem ser vistos inclusive a partir do espaço. Além dos quase 2 mil recifes, a estrutura ainda abrange mais de 100 atóis e 60 ilhas, com uma largura que chega a 750 quilômetros em alguns pontos.

A diversidade da barreira de corais australiana

Com uma biodiversidade apenas comparável a ecossistemas da complexidade da Floresta Amazônica, toda a área da Grande Barreira é coberta por bilhões de corais, estruturas vivas e sólidas constituídas de minúsculos “pólipos”. Apesar de sua exuberância, os corais são pequenos animais, e não vegetais, assim como as anêmonas-do-mar, também abundantes e variadas na região. A Grande Barreira de Corais suporta uma diversidade de vida, incluindo muitas espécies vulneráveis ​​ou em perigo de extinção, algumas das quais são endêmicas do sistema de recife.

Diversidade de corais encontrada no recife da Grande Barreira

Diversidade de corais encontrada no recife da Grande Barreira

Como é possível ver no desenho animado de forma breve, esses corais são habitados por milhares de espécies de peixes, crustáceos, moluscos, equinodermos (como a estrela-do-mar) e outros animais, além de cetáceos, como baleias e golfinhos e também répteis como as tartarugas marinhas.

Existem pelo menos 330 espécies de ascídias sobre o sistema de recife com o diâmetro de 1-10 cm (0,4-4 polegadas). Há também algo entre 300-500 espécies de briozoários vivendo no recife. Quatro centenas de espécies de corais, entre corais duros e corais moles habitam o recife. A maioria deles desova gametas, em eventos de desova em massa que são acionados por vários fatores como o aumento da temperatura do mar na primavera e verão, o ciclo lunar, e o ciclo diurno.

Os recifes internos da Grande Barreira de Corais desovam durante a semana após a lua cheia de outubro, enquanto os recifes exteriores desovam entre novembro e dezembro. Os corais moles comuns pertencem a 36 gêneros. Há ainda cerca de 500 espécies de algas marinhas que vivem nos recifes, incluindo treze espécies do gênero Halimeda, que depositam calcário em montes de até 100 metros de largura, onde se formam de mini-ecossistemas em sua superfície.

Os recifes podem aumentar em diâmetro cerca de 1 a 3 centímetros por ano, e crescem verticalmente cerca de 1 a 25 cm por ano, no entanto, eles crescem somente acima de uma profundidade de 150 metros, devido à sua necessidade de luz solar, e não podem crescer acima do nível do mar.

Turismo e preservação da grande barreira de corais

Muitas das espécies de animais presentes na Grande Barreira de Corais encontram-se ameaçadas de extinção – ao mesmo tempo a enorme faixa litorânea de recifes é um importante destino turístico australiano, movimentando algo em torno de US$ 8 bilhões por ano.

O governo australiano monitora cuidadosamente a exploração turística da região, limitando visitantes e atividades, mas ainda assim algumas espécies parecem não recuperar sua população original.

Ameaças à grande barreira de corais

A despeito de suas proporções gigantescas, o equilíbrio dos corais da barreira é extremamente delicado. Às vezes, mudanças mínimas de temperatura e pH na água podem causar a devastação de regiões inteiras, ou pior, desequilíbrios na população de determinadas espécies predadoras.

Espécies como o tritão, um molusco, podem reduzir outras populações criando distúrbios na cadeia alimentar. Outras espécies, como a estrela-do-mar conhecida como “coroa de espinhos”, se alimentam dos próprios corais e quando sua população atinge níveis maiores pode devastar recifes inteiros.

Fatores como mudanças climáticas, poluição, e pesca são as principais ameaças para a saúde deste sistema de recife. Outras ameaças incluem acidentes de transporte, derrames de petróleo, e os ciclones tropicais.

O homem também causa prejuízos, por mais sustentável que seja a política do governo local para manutenção dos recifes. A região de Queensland é mundialmente conhecida não apenas pela Grande Barreira, mas também por ser uma das maiores produtoras mundiais de minérios siderúrgicos – entre eles o carvão e o minério-de-ferro.

As atividades dessa indústria elevam a presença de poluentes não apenas no ar, mas também nos rios da região, especialmente durante a época de enchentes. Além disso, causam distúrbios térmicos nas águas dos rios que desembocam no litoral, criando instabilidades mortais para os sensíveis corais.

Outra ameaça latente que a Grande Barreira de Corais enfrenta é a poluição e redução da qualidade da água. Os rios do nordeste da Austrália poluem o recife durante as inundação tropicais. Cerca de 90% dessa poluição vem da dos rejeitos da agricultura. Além disso 80% do terreno adjacente à Grande Barreira de Corais é utilizado para a agricultura, incluindo o cultivo intensivo de cana-de-açúcar, e massiva pastagem de gado de corte. Práticas agrícolas danificam os recifes devido ao pastoreio, o aumento do escoamento de sedimentos agrícolas contém nutrientes e produtos químicos, incluindo fertilizantes, herbicidas e pesticidas que representam um grande risco para a saúde dos corais e biodiversidade dos recifes.

Fotos dos recifes de corais da maior estrutura viva da Terra

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Escrito por Equipe de Redação Ciências e Tecnologia

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A Grande barreira de corais da Austrália é a maior estrutura viva do planeta terra, e abriga uma extrema biodiversidade em seus recifes de corais ameaçados