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Homeopatia | Água ou medicamentos homeopáticos, qual faz mais efeito?

Nesse artigo iremos falar da homeopatia, uma pseudociência embasada em conceitos que se opõem aos pilares da bioquímica e medicina.

Antes de adentrarmos no assunto, precisamos compreender o que é Homeopatia. O consenso geral é de que  se trata de uma forma de medicina alternativa. Segue abaixo a definição do que é a homeopatia nas próprias palavras de um homeopata:

A medicina homeopática é um sistema farmacêutico natural que utiliza microdoses de substâncias do reino vegetail, mineral e animal para despertar as reações de cura naturais de uma pessoa. – ULLMAN, Dana. Homeopatia – Medicina para o Século XXI. São Paulo:Cultrix, 1988.

Homeopatia | O falho conceito de uma pseudociênciaA Homeopatia, que foi criada por Samuel Hahnemann no final do século XVIII, e é embasada no princípio similia similibus curantur  que quer dizer “Semelhantes são curados por semelhantes”, na prática isso significa que segundo a homeopatia as doenças devem ser tratadas com substâncias que causam os mesmos sintomas e efeitos apresentados pelo paciente. Na homeopatia a doença é uma perturbação de uma energia vital e a homeopatia provoca o restabelecimento do equilíbrio. Desse modo um paciente com insonia seria tratado com cafeina, do mesmo modo que um com pedras nos rins com cálcio.

Porém não há motivo para pânico, outro princípio da homeopatia é a superdiluição do princípio ativo utilizado – motivo esse pelo qual a homeopatia é rejeitada pela medicina tradicional – segundo a doutrina, a diluição da substância não prejudica sua ação mas modifica seu “potencial energético”. A ciência tradicional afirma que não há risco no consumo dos medicamentos homeopáticos, sendo esse seu único benefício. A organização mundial de saúde (OMS), embora ratifique que não há riscos, alerta para as medidas sanitárias na produção dos “medicamentos”, e não recomenda o seu uso em doenças graves como aids, malária, tuberculose, gripe, diarreia infantil dentre outras.

Por mais incrível e absurdo que pareça, no Brasil essa prática é regulamentada e considerada especialidade médica reconhecida pelo conselho federal de medicina na portaria nº 971 e sendo utilizada no sistema único de saúde.

Porque a homeopatia não funciona

A concentração de um medicamento homeopático é medida numa escala chamada “CH” (Centesimal Hahnemanniana que só é utilizada na homeopatia). Cada centesimal é feita da seguinte forma: dilui-se uma gota do princípio ativo do medicamento em  outras 99 gotas de água. Feito isso temos 1CH. Depois, uma gota dessa solução de 1CH é diluída em mais 99 de água. Temos 2CH. Efetuado esse procedimento, é como se tivéssemos colocado uma gota da substância original em 10.000 gotas d’água. A concentração que considerada ideal para medicamentos hemopáticos pelo pai da homeopatia é de 30CH, o que significa uma gota da substância em {10}^{60} gotas de água, porém há medicamentos hemopáticos que utilizam até 200CH, o que dá uma proporção de 1 molécula a cada ({10}^{80})^5 (o suficiente para esgotar os dígitos de uma calculadora científica)

Consideremos que em 1 gota, há 1 mol ({6,02}\times{10}^{23} moléculas) do material (o que é bastante para uma única gota). Para efeito de comparação, um mol de carbonato de cálcio (Calcarea carbônica na homeopatia) tem 100g. Antes do processo, temos {6,02}\times{10}^{23} moléculas. A 1CH 1% moléculas ficam, em 2CH uma de cada 10.000 moléculas ficam. Quanto mais diluímos, menos moléculas que supostamente deveriam ser o princípio ativo da droga estão na solução.

Em 12C, nós temos aproximadamente 60,2% de chances de termos alguma molécula. 13C, multiplicamos 0,602 por 0,01 e assim por diante. Em 30C, a probabilidade é de {6,02}\times{10}^{-37}. Na mega-sena a chance de acertar com um bilhete é aproximadamente de 1 em 53.000.000, ou {1,88}\times{10}^{-8}. Se ganharmos quatro vezes, temos {6,64}\times{10}^{-32}, que é aproximadamente 100.000 vezes maior que {6,02}\times{10}^{-37}. Logo, é extremamente mais fácil acertar quatro vezes seguidas na mega-sena do que achar uma só molécula de cálcio no remédio. Considerando que não haja sequer o “espirito” de uma molécula num remédio homeopático água pura é quimicamente a mesma coisa.

Placebo e os medicamentos homeopáticos

Agora você leitor deve estar se perguntando o que explica os casos em que houve sucesso do tratamento pela homeopatia. Tais casos são perfeitamente explicáveis pelo efeito placebo, a eficácia da homeopatia tem sido motivo de críticas desde de sua concepção. Um dos primeiros estudos duplo-cego sobre a homeopatia foi patrocinado pelo governo britânico durante a Segunda Guerra Mundial, na qual voluntários testaram a eficácia de remédios homeopáticos diluídos contra queimaduras de gás mostarda.

Nenhum resultado individual diferente do placebo foi produzido nessa investigação. Nos resultados onde aparecem aleatoriamente resultados positivos e negativo, a qualidade metodológica da pesquisa primária é geralmente baixa, com problemas como falhas no desenho do estudo e relatório, o tamanho reduzido da amostra, e viés de seleção. Desde que melhores ensaios de qualidade tornaram-se disponíveis, as evidências da eficácia da homeopatia tem diminuído, os testes de alta qualidade indicam que os remédios homeopáticos não exercem nenhum efeito. A pesquisa realizada em 2010, de todos os estudos pertinentes de “melhor evidência”, produzidos por colaboração da Cochrane concluiu que “A evidência mais confiável – produzido por revisões da Cochrane – não consegue demonstrar que os medicamentos homeopáticos têm efeitos além do placebo.” As pesquisas que demonstram a ineficácia são tantas que enumera-las aqui irá consumir o artigo praticamente por inteiro mas você pode conferir mais detalhadamente nesse link.

A ciência oferece uma variedade de explicações para a forma como a homeopatia pode aparecer para curar doenças ou aliviar os sintomas, mesmo que os próprios remédios são inertes

  • O efeito placebo – o processo de consulta intensivo e expectativas para os preparados homeopáticos podem causar o efeito.
  • O efeito terapêutico da consulta – o cuidado, preocupação e confiança um paciente, experiências quando se abrindo para um cuidador de compaixão pode ter um efeito positivo sobre o paciente.
  • Cura natural sem assistência – o tempo e a habilidade do corpo para curar sem ajuda e pode eliminar muitas doenças, por sua própria iniciativa.
  • Tratamentos não reconhecidos – um alimento não relacionado, o exercício físico, agente ambiental, ou tratamento para uma doença diferente, pode ter ocorrido
  • Regressão para a média – já que muitas doenças ou condições são cíclicos, os sintomas variam com o tempo e os pacientes tendem a procurar tratamento quando o desconforto é maior.
  • Tratamento não-homeopático – pacientes também podem receber cuidados médicos padrão, ao mesmo tempo que o tratamento homeopático.
  • A interrupção do tratamento desagradável – muitas vezes os homeopatas recomendam os pacientes parar de receber tratamento médico, como a cirurgia ou drogas, o que pode causar efeitos colaterais desagradáveis; melhorias são atribuídas à homeopatia quando a causa real é a cessação do tratamento causando efeitos colaterais em primeiro lugar , mas a doença subjacente ainda continua a ser tratada e perigoso para o paciente.
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Escrito por Equipe de Redação Ciências e Tecnologia

8 Comentários

  1. olá! bem, essa postagem entra para o hall das pouquissimas matérias que tentam “provar” que a homeopatia não funciona, e, como praticamente todas, peca por total desconhecimento das teorias que fundamentam o princípio da mesma. mas confesso que de TODAS as matérias que já vi, inclusive passando pelas postagens tosquissimas que só demonstravam uma opinião pessoal, essa procurou dar a entender que houve uma preocupação em demonstrar algum conhecimento de causa, mas não passa de pura falácia, inclusive quando usa de comparações com “possibilidade” de ganhar na mega-sena…ehehehhe aí ficou claro a ignorancia, real ou arquitetada, sei lá! ah…não existem nem 20 postagens com esse viés. já sobre o contrário…abraço!

    • A pessoa não demonstra conhecimento química suficiente nem para ter passado no ensino médio e vem querer sem argumento válido algum falar que matéria é uma falácia, coerente não?

  2. Eu fui uma pessoa que não acreditava que a homeopatia funcionasse, mas hj faço uso e acredito mais do que os medicamentos de farmácia que estavam me matando e não tinha efeito algum para o que eu estava sentindo.
    E logico que todo tratamento tem as normas corretas de usarem , mas fico feliz para quem inventou a Homeopatia ela funciona muito.

  3. A pessoa que escreveu este artigo deveria ter vergonha de postar… falta estudo de sua parte meu caro! Você está bem fora do contexto da medicina… atualize-se…

    • Eu acho que você quem deveria ter vergonha de comentar isso, e ainda falar em medicina. Porém não vou discutir com quem é incapaz de citar estudos e referências ou qualquer argumento válido além de ad hominem…

  4. Tudo bem quanto às diluições. Mas por que os críticos da homeopatia só falam nas diluições? Por que será que sempre “se esquecem” das tinturas e dos medicamentos que possuem princípio ativo, ainda que em pequena escala? Existem algumas marcas de produtos homeopáticos que indicam o percentual (ou a quantidade em mg) de princípio ativo em certa quantidade do produto – é só procurar nas farmácias e conferir. Por que isso nunca é mencionado? Por que – também – todos os pacientes que já fizeram uso com sucesso da homeopatia são considerados invariavelmente inidôneos para falar de sua doença e da cura (e aí apelam para o efeito placebo!). Ou seja, argumentos batidos, afirmações falaciosas… isso é ciência?

  5. Bom gente, o negócio mesmo é cada um cuidar da sua vida e aceitar. Pois o que pode ser inválido para uns, pode ser extremamente válido para outros, pois cada um sabe de seu organismo.

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