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Neodímio | IPT desenvolverá tecnologia com neodímio metálico

O Instituto de Tecnologia de São Paulo IPT assinou com a mineradora CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) para desenvolver a tecnologia de obtenção de neodímio metálico, matéria-prima para superimãs de terras-raras empregados na indústria de alta tecnologia incluindo motores elétricos, discos rígidos, memórias para computadores quânticos e turbinas eólicas. A assinatura do contrato aconteceu durante a realização do workshop ‘Terras-Raras: Novas Perspectivas para a Cadeia Produtiva no Brasil”, realizado no campus do IPT em São Paulo.

O acordo, no valor de R$ 9,5 milhões, dá-se no âmbito da Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e tem duração de dois anos. Do valor total do convênio, um terço virá da Embrapii, com base em repasse de recursos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e mais um terço de responsabilidade da CBMM, o que totaliza dois terços de recursos financeiros não-reembolsáveis. O IPT aportará o terço restante como contrapartida provinda do Governo do Estado de São Paulo, o que envolve infraestrutura, equipamentos e suporte administrativo do Instituto.

As equipes do Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais do IPT e da companhia trabalharão em conjunto na terceira etapa da cadeira sobre redução do óxido de neodímio em metal.

A companhia também dispõe de planta-piloto para concentração de terras-raras a partir de reservas na cidade de Araxá (MG), onde mantém suas operações de produção de nióbio. Além disso a empresa já domina o ciclo de isolamento dos óxidos de terras-raras. Segundo Fernando Landgraf, diretor presidente do IPT, essa é a única escala da cadeia produtiva dos superímãs de terras-raras, ainda não trabalhada no Brasil.

Já de outro lado do processo, há experiência concentrada principalmente em universidades e centros de pesquisa na produção dos superímãs de neodímio, além de fabricantes de motores elétricos e geradores eólicos instalados no Brasil.

Durante a cerimônia de assinatura do contrato, Landgraf informou que os superímãs de terras-raras são estudados há 30 anos no Brasil. Na década de 1990, todas as expectativas da comunidade acadêmica foram frustradas com o domínio total da China sobre o mercado. “O avanço da cadeia produtiva nacional só iria ocorrer quando uma das empresas detentoras de reservas de terras-raras investisse na transformação do minério em material comercialmente atrativo. E o fato de a CBMM hoje assumir esse risco é realmente um marco”, conta.

Tadeu Carneiro, presidente da CBMM, comparou o desenvolvimento do mercado do nióbio há 60 anos com os desafios da companhia neste projeto. Segundo ele, naquele momento não havia aplicações e nem mercado para o nióbio, praticamente criado pela empresa, hoje a maior fabricante mundial do metal. “No caso das terras-raras, esses fatores não são problema. Mas temos outro desafio que é o de desenvolver tecnologia. É tão importante por isso o esforço que esse convênio irá produzir”, completa.

Mineração do Neodímio

Conhecido como conjunto de 17 elementos químicos utilizado para aplicação em alta tecnologia, como a dos imãs que transformam energia elétrica em energia mecânica e em produtos como notebooks, telefones, celulares, trens bala, fibra óticas, painéis solares gerados eólicos entre outros equipamentos. Além do neodímio, os demais minerais são: lantânio, cério, praseodímio, promécio, samário, gadolínio, térbio, európio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio. Elementos esses que sempre aparecem em conjunto na natureza. No Brasil, a ocorrência se dá principalmente na forma do mineral monazita.

neodimio-metalico-superimasA cadeia produtiva dos materiais é extensa. A primeira etapa consiste na concentração da monazita, de forma que a separa de outros minerais. A segunda fase, de separação, permite chegar aos óxidos de terras-raras. Depois, ainda é necessário obter o metal a partir do óxido. A etapa seguinte é de produção do superímã que será utilizado pela indústria.

De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Brasil é tido como detentor da segunda maior reserva de terras-raras do mundo com estimados 16% de participação mundial. Entretanto, esses 17 elementos de terras-raras não têm produção em escala comercial no país.

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Escrito por Equipe de Redação Ciências e Tecnologia

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O Instituto de Tecnologia de São Paulo desenvolverá tecnologia de obtenção de neodímio metálico matéria-prima para superimãs empregados na alta tecnologia