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Paradoxo de Olbers | Enigma da escuridão do Universo

Por que ao olharmos o céu noturno não o vemos de uma maneira uniforme ? Se o Universo tem um número infinito de estrelas, então presumivelmente deveria ser tão brilhante quanto o centro da nossa Estela Sol. Uma analogia pode ser feita. Se você ficar em um pequeno bosque de árvores e olhar para o horizonte, é possível ver manchas de céu na distância entre troncos das árvores. Mas se você está em uma grande floresta, a sua visão está em toda parte bloqueada por uma “parede sólida” de troncos de árvores. Entendendo esta  analogia em três dimensões, se o universo das estrelas é grande o suficiente, sua linha de visão deve ser bloqueada em todas as direções por uma “parede sólida” de estrelas.

O paradoxo de Olbers e o enigma da escuridão do céu

As estrelas de um universo é tão brilhante porque começaram a absorver o calor de suas estrelas vizinhas. E é isso o que acontece quando uma estrela é aquecida. As teorias da termodinâmicas e nuclear estão aí para explicar esta questão técnica. Não espera-se que as estrelas esfriem ou que se aqueçam eternamente. O Paradoxo de Olbers originou-se antes dos físicos desenvolverem a teoria nuclear de como as estrelas brilham. Assim, ele nunca se preocupou com a idade que as estrelas podem ter,e como os detalhes de suas transações de energia pode afetar  o seu brilho.

O Paradoxo de Olbers é o fato de que o céu noturno não é tão brilhante como o Sol. Em 1610, Johannes Kepler questionou o porque do céu noturno não ser tão brilhante, e mais tarde Halley e Cheseaux no século XVIII rediscutiu a questão. Mas somente no século XIX foi popularizado como Paradoxo de Olbers pelo astrônomo alemão Heinrich Wilhelm Olbers.

Várias explicações foram levantadas como:

  • Há muita poeira para ver as estrelas distantes.
  • O Universo tem apenas um número finito de estrelas.
  • A distribuição das estrelas não é uniforme.Por exemplo, poderia haver uma infinidade de estrelas, mas eles se escondem uma atrás da outra de modo a que apenas uma área angular finita é subentendida por elas.
  • O Universo está se expandindo, assim estrelas distantes são vermelhas.
  • O Universo é jovem. Luz distante nem sequer chegaram até nós.
O paradoxo de Olbers e o enigma da escuridão do céu

O paradoxo de Olbers e o enigma da escuridão do céu

A primeira explicação é simplesmente errada. Em um corpo negro, a poeira também vai aquecer. Ele age como um escudo de radiação, exponencialmente amortecendo a luz das estrelas distantes. Mas você não pode colocar  pó suficiente no Universo para se livrar da  intensa luz das estrelas.

A premissa da segunda explicação pode ser tecnicamente correta. Mas o número de estrelas, finito como poderia ser, ainda é grande o suficiente para iluminar todo o céu. A terceira explicação pode estar parcialmente correta. Nós simplesmente não sabemos se as estrelas estão distribuídas uniformemente, então poderia haver grandes manchas de espaços vazios, o céu pode parecer escuro, exceto em pequenas áreas.

Por fim, as duas possibilidades finais estão mais próximas de serem verdadeiras. Há argumentos numéricos que sugerem que o efeito da idade finita do Universo é a resposta mais plausível para o Paradoxo de Olbers. Vivemos dentro de uma concha esférica de “Universo Observável”, que tem raio igual ao tempo de vida do Universo. Objetos de cerca de 13,7  bilhões de anos estão longe demais para que sua luz chegue até nós.

Após Hubble descobrir que o universo estava em expansão, a teoria do Big Bang foi firmemente estabelecida pela descoberta da radiação cósmica. O Paradoxo de Olbers foi então apresentado como prova da relatividade especial. O desvio da luz das estrelas para o vermelho constitui este fato. Porém a idade finita do Universo é o caminho mais certo para resolver o Paradoxo de Olbers.

Referências:

Ap . J. 367, 399 ( 1991). O autor, Paul Wesson

Darkness at Night: A Riddle of the Universe , Edward Harrison, Harvard University Press, 1987

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Escrito por Dhayanne Costa

Discente na Universidade Federal de Ouro Preto,cursando Engenharia Elétrica e membro do DA-UFOP. O estudo da ciência é um meio de conhecermos a nós mesmos. Somos apenas uma poeira nesta imensidão chamado infinito.

3 Comentários

  1. Roberto Schima

    Há um pequeno e interessante artigo abordando o Paradoxo de Olbers, intitulado “Por que o céu é escuro a noite?”, de Bruce Bliven, publicado na “Seleções do Reader’s Digest” de Setembro de 1963. Edição antiga, bem sei, todavia, talvez possa ser encontrada em “sebos”. E nunca é demais recomendar o livro “Cosmos”, de Carl Sagan; ou o “Astronomia”, de Ian Nicolson (Ed. Melhoramentos, série PRISMA). Embora antigos, seus textos são cativantes.
    Gosto de escrever e desenhar. Também gosto de ciências em geral. Quem tiver curiosidade, coloque meu nome no Google. Algo aparecerá. Abraços a todos.

  2. Oi Dhayanne!

    Muito bom o seu artigo! Já li a matéria da revista Seleções como sugeriu nosso amigo Roberto Schima, é antiga mesmo, mas conta sobre o início dos questionamentos do assunto e desperta curiosidade. Só achei alguns erros de concordância e acentuação no seu português Dhayanne, teria que tomar um pouco mais de cuidado, são detalhes, mas é um assunto científico que pode acabar perdendo alguma credibilidade por parte do leitor, se tiver mais erros graves. Fica a dica! Grande abraço.

  3. Obrigada pela crítica Paula. Acredito eu que o texto não foi revisado antes de ser publicado. Uma falha minha.

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O Paradoxo de Olbers é o fato de que o céu noturno não é tão brilhante como o Sol. Em 1610, Johannes Kepler questionou o porque do céu noturno não ser tão