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A radioatividade nossa de cada dia

A exposição do homem a fontes naturais de radiação é uma consequência inevitável da distribuição de radionuclídeos na crosta terrestre e do alcance de radiações cósmicas. Os processos naturais que contribuem para a exposição aos radionuclídeos das séries de isótopos do urânio e tório têm sido objeto de várias pesquisas, visando definir a grandeza e variabilidade das doses às quais as populações ficam expostas e, também, contribuir para um melhor entendimento da relação entre a exposição natural e seus efeitos biológicos.

A  radioatividade nossa de cada diaA maior parte da radiação recebida pelo homem provém de fontes terrestres naturais. Através de vias de transferência, como as plantas, a água, os animais e seus derivados, os radionuclídeos presentes no meio ambiente incorporam-se ao homem. Assim, definem-se as rotas pelas quais os radionuclídeos atingem um indivíduo ou uma população através do meio ambiente. A figura acima ilustra as vias pelas quais um indivíduo pode estar exposto após uma liberação de material radioativo para a atmosfera ou para o meio hídrico.

As doses internas de radiação são significativas e contribuem com cerca de 80% para a dose total recebida pelo homem devido à radioatividade natural, sendo que esta contribui com 60 a 70% da exposição total à radiação ionizante. O principal radioisótopo responsável pela dose associada aos radionuclídeos internos é o 40K, contribuindo com 60 a 70% da dose total.

Em casos gerais, as doses por ingestão de radionuclídeos naturais em alimentos e água potável têm sido verificadas a partir da medição de concentrações de radionuclídeos em tecidos ou órgãos. Para o 40K, o balanço metabólico mantém níveis estáveis, independente da quantidade ingerida. Por exemplo, o percentual de 40K é de aproximadamente 0,18% para adultos e 0,2% para crianças. No entanto, para os radionuclídeos das séries do urânio e do tório, isto não acontece, e as concentrações tanto nos seres vivos quanto nos alimentos e na água dependem das variações geográficas e, no caso dos seres vivos, também da dieta. O urânio no organismo acarreta, em média, uma dose equivalente efetiva anual de aproximadamente 5 μSv à superfície óssea e 3 μSv a outros tecidos. Por outro lado, a dose efetiva total a partir da ingestão e inalação de radionuclídeos terrestres é de 310 μSv, dos quais 170 μSv deve-se ao 40K e 140 μSv aos radionuclídeos das séries do urânio e do tório. Dada a importância da água, dos alimentos e do solo na exposição do homem à radiação ambiental, iremos discutir a seguir cada uma dessas vias de exposição.

A radioatividade na água: tomando uma dose de radionuclídeos diariamente

A Portaria n° 518/GM de 25 de março de 2004 do Ministério da Saúde do Brasil preconiza, na tabela 7 do documento, o padrão para radioatividade de água potável que consiste no valor máximo de 0,1 Bq/L para a emissão alfa e 1,0 Bq/l para a emissão beta. Isso significa que as leis federais levam em conta os radionuclídeos naturais aos quais o ser humano se expõe através da ingestão de água.

O urânio, o rádio, o radônio, o chumbo e o polônio são os radionuclídeos de maior interesse de estudo devido à similaridade química destes radionuclídeos com macronutrientes essenciais ao nosso ciclo biológico.

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Escrito por Wanderson

Licenciando em Química, bolsista de Iniciação a Docência da CAPES

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